Aglaé Fontes

A história dela, capítulo a capítulo

Uma vida em muitas formas de ensinar

Da menina que conheceu Sergipe em sucessivas cidades à mulher que fez da cultura uma responsabilidade pública. Leia em capítulos: em cada um, fatos confirmados aparecem ao lado de memórias atribuídas, divergências e documentos que ainda procuramos.

Começar pelo prólogoVer as fontes◉ Ouvir a voz de Aglaé — quando licenciado

Princípio de escrita. Nenhum diálogo, pensamento, emoção, parentesco, título ou detalhe sensorial foi inventado. Passagens interpretativas são apresentadas como interpretação; divergências permanecem visíveis. As marcações [Fxx] remetem à Base de Fontes.

— Do baú da vida —

a acordeonista, c. 1956a acordeonista, c. 1956o teatro dela, em pesquisao teatro dela, em pesquisa2024 · os 90 anos2024 · os 90 anos2026 · no palco da UFS2026 · no palco da UFS

— A infância em sete cidades —

Toque numa cidade pra abrir a lembrança. Roteiro recordado por Aglaé em entrevista de 2011; a ordem exata das mudanças segue em pesquisa.

1Lagarto

“Nasci em Lagarto…” Aqui tudo começa, em 2 de novembro de 1934. Terra também de Sílvio Romero, o menino do livro dela. [F37]

2Riachuelo

Uma das casas da menina Aglaé, no vaivém da carreira federal do pai. [F03]

3Socorro

Cidade recordada por ela na entrevista de 2011; as lembranças daqui seguem em pesquisa. [F02]

4São Cristóvão

Cidade da infância que voltou madura: décadas depois, Aglaé cuidaria da cultura e do museu daqui. [F83]

5Propriá

Beira do rio São Francisco, tempo de escola. [F03]

6Itabaianinha

Estudos e o período com os avós. [F02]

7Aracaju

O ponto final do mapa: em 1955 ela se fixa na capital e funda a Escolinha de Música. [F01]

— Sintonize o rádio dela —

No ar: o Gato de Botas

Gire pelas estações e toque numa frequência. O rádio foi o palco invisível de Aglaé no fim dos anos 1950.

Ouça a voz de Aglaé — 33 segundos

Depoimento gravado pela própria Aglaé sobre o programa infantil da Rádio Cultura.

PRJ-6Rádio Cultura de Sergipe

A emissora onde o teatro de Aglaé coube dentro do ar: cenário invisível, tudo por voz, música e efeito. [F02] →

1959O Gato de Botas

O radioteatro infantil dela entra no ar e encanta uma geração de ouvintes mirins. ver no tempo →

DUPLANo microfone

Clodoaldo de Alencar Filho, parceiro de rádio, teatro e vida, documentado na equipe das produções. ver em família →

MUDOAs fitas perdidas

Nenhuma gravação foi localizada até hoje. Procuram-se fitas de rolo, acetatos e memórias de quem ouviu. você guarda? →

Ato 1 · 1934 – início dos anos 1950

Uma infância em movimento

Lagarto é o nascimento; as cidades de Sergipe tornam-se uma primeira escola de cultura.

Aglaé nasceu em 2 de novembro de 1934, em Lagarto, filha de Teófilo Fontes de Almeida e Marieta D'Ávila Fontes. Esses dados aparecem em fontes biográficas convergentes e, sobretudo, numa entrevista publicada por O Cruzeiro em março de 1956, quando a própria jovem declarou local e data de nascimento. [F02, F03, F20, F37]

A infância não ficou presa a uma única casa. A carreira federal do pai levou a família por diferentes municípios sergipanos. Em entrevista concedida em 2011, Aglaé recordou passagens por Lagarto, Riachuelo, Socorro, São Cristóvão, Propriá e Aracaju; Itabaianinha aparece associada a um período de estudos e convivência com os avós. A sequência exata, endereços, escolas e datas ainda precisam ser confirmados por documentação e memória familiar. [F02]

Essa circulação oferece uma hipótese biográfica forte, mas deve ser formulada com precisão: as mudanças a colocaram em contato com festas, falares, práticas religiosas, brincadeiras e modos locais de vida. Fontes posteriores relacionam esse repertório à atenção que ela dedicaria à cultura popular. O nexo é sustentado por seus próprios relatos, embora os detalhes de cada cidade ainda não estejam documentados individualmente. [F02, F19]

O Brasil de sua infância atravessava a centralização do Estado Novo, a expansão lenta da escolarização e uma vida cultural marcada pela força do rádio. Em Sergipe, para uma menina do interior, o acesso continuado à formação artística formal era limitado. O dado relevante não é transformar Aglaé numa exceção abstrata, mas observar a combinação concreta que as fontes indicam: uma família em deslocamento, convivência com diferentes territórios e uma educação musical que ganharia centralidade na juventude.

Os textos comemorativos preservam imagens de infância e família, mas alguns adotam forma dramatizada. Eles são valiosos como mapa de perguntas — casas, avós, hábitos, primeiras leituras, animais, festas — e não como transcrição literal. O projeto rejeita diálogos reconstruídos e detalhes sensoriais sem testemunho identificável. [F04]

Ato 2 · c. 1952–1959

Ensinar música, criar espaço

A formação musical encontra uma vocação pedagógica e, em 1955, ganha uma casa própria.

Em 1952, Aglaé formou-se no Instituto de Música e Canto Orfeônico de Sergipe. Uma fotografia de turma com anotação no verso, analisada em pesquisa acadêmica, resolve o ano. Depois, seguiu para formação em educação musical voltada à infância e participou de seminários livres ligados à Universidade da Bahia. A denominação e a duração desse curso ainda devem ser confirmadas por certificado. [F02, F20, F77]

Ao retornar a Aracaju, em 1955, ela fundou a Escolinha de Música. O gesto antecipa um padrão: quando a estrutura de que precisava não existia, Aglaé criava um ambiente de aprendizagem. A escola não foi apenas local de aulas; tornou-se núcleo de experiências cênicas e de um grupo de crianças que logo atravessaria a fronteira entre música, narrativa e teatro. [F01, F02]

A juventude de Aglaé também ganhou visibilidade pública quando recebeu o título de Miss Centenário de Aracaju. A entrevista de 1956 prova o título, mas as fontes divergem entre 1955 e 1956 para eleição ou coroação. Reduzir esse episódio a uma curiosidade social seria perder sua utilidade histórica: a fotografia e a entrevista de O Cruzeiro mostram uma jovem sergipana já inscrita no circuito público de representação da cidade, enquanto seu trabalho pedagógico começava a se consolidar. [F02, F04, F37]Data divergente

Recorte de O Cruzeiro, 1956: coluna Rádio de Sergipe, de José Vieira Neto, com entrevista da acordeonista Aglaé Dávila Fontes, Miss Centenário de Aracaju
Documento · M-004

O recorte real: na coluna Rádio de Sergipe, de José Vieira Neto (O Cruzeiro, 3 mar. 1956), a “acordeonista Aglaé Dávila Fontes, Miss Centenário de Aracaju” responde onde nasceu — “em Lagarto, Sergipe, no dia 2 de novembro de 1934” — e se trocaria a arte pelo amor: “procuraria, primeiro, conciliar as duas coisas”. É a fonte primária mais antiga digitalizada deste arquivo. Crédito: O Cruzeiro / Hemeroteca Digital da BN. Ver a página inteira e o PDF da edição.

A Escolinha funcionou por cerca de vinte anos. O documento que falta não é só uma data de encerramento: é o conjunto de matrículas, cadernos, partituras, programas e fotografias capaz de revelar quem estudou ali, como eram as aulas e de que maneira aquele método se transformou ao longo do tempo.

Ato 2 · 1959–1966

O rádio abre o palco

Gato de Botas transforma a pedagogia musical em linguagem de massa; o Tegebê cresce com seus jovens intérpretes.

Em 1959, Aglaé assumiu na Rádio Cultura o programa infantil Gato de Botas, convite atribuído a dom José Vicente Távora. A experiência teria durado aproximadamente sete anos. Sem os áudios e roteiros, ainda não é possível descrever sua forma completa, mas a fonte especializada mostra que o programa funcionou como extensão pública do trabalho com crianças. [F02]

Da Escolinha e do rádio surgiu o Tegebê. O grupo começou com repertório infantil e, acompanhando o crescimento de seus integrantes, chegou a textos de maior tensão social. Em 16 de março de 1963, uma fonte situa a estreia sergipana de Eles Não Usam Black-Tie; outra passagem do mesmo estudo menciona 1962. A data detalhada de 1963 é a versão preferida até que jornais e programas resolvam a divergência. [F02]Data divergente

A passagem é decisiva porque mostra o método em movimento. Aglaé não separava rigidamente formação musical, leitura, jogo e cena. Os participantes cresciam, e o repertório crescia com eles. Em 1966, o núcleo consolidou-se como grupo amador Expressionista. Montagens como Borandá e Como apareceu a Música no Brasil aparecem na cronologia do estudo especializado. O grupo seria depois acolhido no ambiente universitário. [F02]

A lacuna sonora é uma das mais urgentes do dossiê. Recuperar uma fita, um roteiro ou uma grade de Gato de Botas permitiria ouvir o começo de uma voz pública que hoje sobrevive principalmente em entrevistas tardias. A busca deve envolver Rádio Cultura, arquivo arquidiocesano, antigos técnicos e coleções domésticas.

Ato 3 · 1967–1975

A universidade e a cidade histórica

A institucionalização da UFS e o Festival de Arte de São Cristóvão ampliam a escala de atuação.

A Universidade Federal de Sergipe foi criada em 1967 e instalada em 15 de maio de 1968. O período coincide com a aproximação do Expressionista do ambiente universitário e com um momento em que a cultura passava a integrar projetos de extensão e identidade regional. A história de Aglaé não é mero reflexo da universidade: ela ajudou a dar forma prática a esse campo. [F01, F02, F64]

Entre 1º e 3 de setembro de 1972 ocorreu o primeiro Festival de Arte de São Cristóvão. O quadro administrativo preservado em pesquisa de arquivo registra Aglaé como coordenadora de Ornamentação; Clodoaldo de Alencar aparece na Coordenação Artística e Albertina Brasil na coordenação geral. Memórias posteriores ampliam a participação do casal, mas a função formal publicável é a do quadro documental. [F78]

Em 1973, o Expressionista retomou atividades na UFS e encenou obras como A Estrada e Gilgamés. Em 1974, Aglaé escreveu Brefaias e montou Ensaio Geral. No mesmo ano, a Biblioteca Infantil foi inaugurada como anexo da Biblioteca Pública Epifânio Dória, com Aglaé indicada como primeira coordenadora ou diretora. O uso do nome Biblioteca Infantil Aglaé Fontes de Alencar está documentado contemporaneamente em agosto de 1986; o ato formal de denominação ainda precisa ser localizado. [F02, F14, F45, F54, F80]

Por volta de 1975, Aglaé concluiu Filosofia na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, posteriormente incorporada à UFS, e ingressou, por concurso, para lecionar Psicologia da Educação. Em seu relato de 2011, vinculou essa escolha ao encerramento da Escolinha: a carga de trabalho e a segurança do vínculo universitário exigiam uma decisão. Há, aqui, um ponto de virada sem necessidade de dramatização: uma iniciativa independente de duas décadas dá lugar à docência universitária, mas o método não desaparece. Ele migra. [F02, F20]

Ato 3 · 1974–1976

Brefaias: palavra sob corte

Uma peça escrita no período autoritário chega ao palco depois de passar pela censura.

Brefaias foi escrita em 1974 e estreou em 1976 pelo Expressionista. Estudos e a memória institucional da UFS convergem ao registrar que a obra foi submetida à censura e sofreu cortes. O processo deve ser localizado no Arquivo Nacional para que se conheçam o texto apresentado, as exigências, as rubricas e a cadeia administrativa da proibição. [F02, F06, F31]

A importância da peça não decorre apenas do fato de ter sido censurada. Ela condensa o modo como Aglaé tratava a linguagem: texto literário, gesto coletivo e comentário sobre o tempo histórico. Cinquenta anos depois, a UFS voltou a encená-la, fazendo da remontagem uma forma de transmissão de memória. [F06, F07]

Capítulo cinematográfico completo: 1974 → 2026 →

Ato 3 · 1978 – anos 2000

Bonecos para pensar o mundo

O Mamulengo de Cheiroso nasce como exercício pedagógico e se torna uma longa experiência de criação popular.

Em 1978, uma proposta pedagógica na UFS deu origem ao Mamulengo de Cheiroso. A experiência articulava teatro de bonecos, cultura popular, pesquisa e formação. Em vez de usar o “popular” como ornamento, o grupo o tratava como linguagem viva, com repertório, técnica e relação comunitária. [F02, F29]

Aglaé escreveu e adaptou textos para o grupo. O inventário público traz títulos como O Coelhinho Sabido, O Coelho Escritor, O Dragão Cospe Fogo, A Rainha Jinuvena no Guerreiro do Cheiroso, Cazuza Caga Raiva, O Macaco e a Velha, No Reino do Limo Verde, O Figo da Figueira, Festança com Mestre Cheiroso e A Onça e o Bode. A fonte especializada enumera dezoito peças, mas também afirma uma produção superior a quarenta; o catálogo integral permanece uma lacuna crítica. Ver o repertório

Maria Língua de Trapo oferece uma cronologia que precisa ser dividida corretamente: o texto venceu, em 1980, o III Concurso Nacional de Textos para Teatro de Bonecos; foi montado pelo grupo em 1982; e apareceu em antologia de 1983. Não são versões conflitantes, mas etapas distintas: prêmio, palco e publicação. Ficha da obra

O álbum Contos, Cantos e Cantigas, lançado em 2013, preserva participação vocal de Aglaé em repertório ligado ao Mamulengo. O streaming permite localizar o fonograma, mas não autoriza seu uso no site ou num filme; sincronização, reprodução e direitos conexos devem ser negociados separadamente. [F43 · M-015]

Ato 4 · 1985–2006

Experimentar e descobrir

No Centro de Criatividade, uma filosofia pedagógica ganha escala territorial e institucional.

Convidada em 1984 para implantar uma escola livre de artes, Aglaé tornou-se a primeira diretora do Centro de Criatividade, inaugurado em 10 de maio de 1985. A distinção resolve a aparência de conflito entre 1984 e 1985: o primeiro ano corresponde à implantação; o segundo, à abertura formal. [F02, F30, F81]

“Experimentar e descobrir” sintetiza a filosofia associada ao equipamento. Oficinas, práticas artísticas, pesquisa oral e convivência com mestres e comunidades deveriam criar autonomia, não apenas consumo cultural. O Centro aparece, assim, como ampliação do princípio que já orientava Escolinha, rádio e teatro: aprender fazendo, observar o território e devolver criação à coletividade. [F30]

A atuação não foi linear nem confinada a um único mandato. As fontes indicam três gestões e um arco amplo entre 1985 e 2006, incluindo uma terceira passagem entre 2003 e 2006, voltada à recuperação física e pedagógica. Faltam atos de nomeação, exoneração, relatórios anuais e números que permitam medir oficinas, públicos, equipes e continuidade. [F01, F02, F30]

A pesquisa de 2025 recupera também fricções: moradores que se sentiram invadidos pelo novo equipamento, críticas a regras, dificuldades de frequência e resistência inicial de parte dos artistas. A resposta institucional incluiu levantamento comunitário e uma frente de Ação Comunitária. O projeto nasceu de negociação, não de adesão automática — dado decisivo para evitar hagiografia. [F30]

Ato 5 · 1987–2016

Cultura como responsabilidade pública

Secretarias, fundações e municípios tornam a mediação cultural uma política de Estado.

A pesquisa acadêmica e a imprensa contemporânea situam o exercício de Aglaé na Secretaria estadual da Cultura entre maio de 1988 e março de 1991. Leis de novembro de 1988, dezembro de 1989 e março de 1990 trazem sua assinatura como secretária da Cultura e, depois, da Cultura e Meio Ambiente. [F11, F12, F13, F54]

Em 1992, a Secretaria de Educação de Sergipe a lista como a 24ª titular da pasta. Em 1995, fontes biográficas e institucionais a apontam na presidência da Fundação Aperipê. Para ambos os períodos, os próximos documentos necessários são nomeação, exoneração, plano de gestão, orçamento, relatórios e programas executados. [F02, F10, F18]

Em outubro de 2009, Aglaé foi anunciada para a Secretaria de Cultura e Turismo de São Cristóvão e aparece documentada no exercício em 2012. No intervalo ocorreu uma conquista histórica da cidade: em 1º de agosto de 2010, a Praça São Francisco foi inscrita pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Fontes públicas associam Aglaé à política cultural local; o dossiê, porém, não atribui individualmente a chancela sem discriminar a equipe, os dossiês técnicos e a cadeia decisória. [F18, F49, F66]

Em Aracaju, atuou na Fundação Cultural Cidade de Aracaju, primeiro como vice-presidente e depois como presidente, além de ser empossada secretária municipal de Cultura em 3 de novembro de 2014. As fontes registram projetos como o Centro Cultural de Aracaju e a continuidade de atividades até 2016. A sequência de cargos não deve ser apresentada como currículo autossuficiente: seu valor biográfico está nas decisões — o que Aglaé tentou institucionalizar, quais equipes formou, quais programas permaneceram e quais limites encontrou. [F15, F16, F17, F48]

Ato 5 · 1970–2025

Escrever para ensinar e guardar

Poesia, dramaturgia, folclore, materiais didáticos e memória formam uma bibliografia dispersa.

Aglaé afirmou, em entrevista preservada no estudo sobre o teatro sergipano, que começou a escrever porque não encontrava textos adequados às necessidades de seus alunos. A motivação pedagógica ajuda a entender a diversidade da obra: poesia para crianças, dramaturgia, cadernos de folclore, educação musical, cartilhas patrimoniais, organização de memória junina e artigos institucionais. [F02]

Entre os títulos já catalogados estão Guerreiro: a dança do guerreiro em Aracaju (1976), Brinquedos e brincadeiras do folclore sergipano (1981), O folclore e a educação musical (1983), Uni-duni-tê (1984), Brefaias (1985), Eu não tenho onde morar (1990), Mai Pó Quê? (1992), São João dormiu, São Pedro acordou (1994), Danças e folguedos (1998; 2ª edição citada em 2003), O menino tangedor de sonhos (2001), Mestre Rindú (2012) e participação no dossiê do modo de fazer da Renda Irlandesa (2014). Catálogo completo

A lista ainda não é uma bibliografia fechada. Há títulos sem exemplar localizado, atribuições de autoria ou organização misturadas, diferenças de paginação entre edições e cartilhas municipais citadas como projeto, mas nem sempre publicadas. O catálogo separa obra publicada, contribuição, organização, peça encenada sem edição, obra atribuída e publicação sobre Aglaé.

Nos anos recentes, textos como Falando de um símbolo: o Hino Sergipano, A Interminável, A Parede das “coisa” e Dei de Pensar mostram atividade intelectual vinculada ao IHGSE. A biblioteca digital ideal não é um repositório de capas: cada obra deve ganhar contexto — por que foi escrita, para quem, em qual edição, onde está disponível e quais direitos regem leitura ou reprodução. [F03, F32]

Ato 6 · 2004–2026

A guardiã em atividade

Academias, instituto histórico, homenagens e projetos digitais mostram uma velhice pública e produtiva.

Em 5 de agosto de 2004, Aglaé tomou posse na cadeira 12 da Academia Sergipana de Letras. Integra também a Academia Lagartense de Letras, na cadeira 16, e consta como acadêmica jubilada da Academia Riachuelense de Letras e Artes. Esses pertencimentos articulam cidades de sua formação e reconhecimento literário. [F20–F23]

Em 2018, assumiu a presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Foi reeleita, e a diretoria pública registra mandato de 2024 a 2026. Durante a pandemia, o Instituto ampliou produção audiovisual e ações como o Café com Prosa; textos de gestão também registram reforma, projetos, publicações e atividades de formação. [F01, F03, F08, F09, F32, F42]

Aos noventa anos, em 4 de novembro de 2024, recebeu uma homenagem no Museu da Gente Sergipana, com participação de familiares, instituições e artistas. Uma escultura de Elias Santos foi inaugurada. O evento oferece material visual e testemunhos, mas cada fotografia, vídeo, música e obra plástica possui direitos próprios. [F05, F41]

A velhice de Aglaé não deve ser narrada apenas pela linguagem da homenagem. Em 2025, entrevistas e publicações registravam sua continuidade no trabalho; em 2026, ela estava presente na UFS para os cinquenta anos de Brefaias. A evidência mais forte de permanência é o trabalho em circulação, não a quantidade de adjetivos. [F06, F07, F19]

Retrato ainda em construção

Perguntas que a edição pública não pode responder sem Aglaé e sua família

  • Como eram, em detalhes, as casas, escolas e relações em cada cidade da infância?
  • Quais livros, músicas, professores e parentes tiveram influência direta — e quais evidências a acompanham?
  • Como Aglaé conciliou criação, trabalho público e vida familiar; que custos e apoios essa conciliação implicou?
  • Quais perdas, recusas, conflitos e dúvidas mudaram sua trajetória?
  • Que hábitos, objetos, expressões, receitas, gestos e rituais familiares a revelam sem invadir sua privacidade?
  • O que ela considera hoje seu maior acerto, seu projeto interrompido e o que gostaria de corrigir no registro público?

Essas não são falhas a esconder. São a pauta de história oral que separa uma biografia institucional de um retrato humano completo. Contribua com uma memória.

Nota historiográfica

O contexto foi incluído apenas quando altera a leitura da ação de Aglaé: a centralidade do rádio, a institucionalização da UFS, a criação do FASC, a censura cultural durante a ditadura, a expansão das políticas patrimoniais e a inscrição da Praça São Francisco como Patrimônio Mundial. A pesquisa ainda não sustenta afirmações específicas sobre discriminação, conflitos partidários ou resistência interna enfrentada por Aglaé — transformar plausibilidade em fato pessoal exigirá depoimentos e documentação.

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